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evangélicos e daí ?

Em que o crescimento da igreja evangélica no Brasil afeta a sociedade ?

Dois pontos do pacto das igrejas evangélicas em 1974, na cidade de Lausanne, Suíça, afirmou as seguintes proposições acerca da missão evangelizadora da igreja e sua influência na sociedade:

Quanto à natureza da evangelização

“Evangelizar é difundir as boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou segundo as Escrituras, e de que, como Senhor e Rei, ele agora oferece o perdão dos pecados e o dom libertador do Espírito a todos os que se arrependem e creem. A nossa presença cristã no mundo é indispensável à evangelização, e o mesmo se dá com aquele tipo de diálogo, cujo propósito é ouvir com sensibilidade, a fim de compreender. Mas a evangelização propriamente dita é a proclamação do Cristo bíblico e histórico como Salvador e Senhor, com o intuito de persuadir as pessoas a vir a Ele pessoalmente e, assim, se reconciliarem com Deus. Ao fazermos o convite do evangelho, não temos o direito de esconder o custo do discipulado. Jesus ainda convida todos os que queiram segui-lo a negarem-se a si mesmos, tomarem a cruz e identificarem-se com a sua nova comunidade. Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo, o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo.”

A igreja e a evangelização

“Afirmamos que Cristo envia o seu povo redimido ao mundo assim como o Pai o enviou, e que isso requer uma penetração de igual modo profunda e sacrificial. Precisamos deixar os nossos guetos eclesiásticos e penetrar na sociedade não-cristã. Na missão de serviço sacrificial da igreja a evangelização é primordial. A evangelização mundial requer que a igreja inteira leve o evangelho integral ao mundo todo. A igreja ocupa o ponto central do propósito divino para com o mundo, e é o agente que ele promoveu para difundir o evangelho. Mas uma igreja que pregue a Cruz deve, ela própria, ser marcada pela Cruz. Ela torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização quando trai o evangelho ou quando lhe falta uma fé viva em Deus, um amor genuíno pelas pessoas ou uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças. A igreja é antes a comunidade do povo de Deus e não apenas uma instituição, e não pode ser identificada com qualquer cultura em particular, nem com qualquer sistema social ou político, nem com ideologias humanas.”


Destas afirmações podemos perceber que em relação à nossa realidade evangélica brasileira:

  • • Passados mais de 30 anos depois de Lausanne, somos a maior expressão evangélica pentecostal do mundo e em franco crescimento com o neopentecostalismo;

  • • Somos mais de 35 milhões de evangélicos brasileiros em seus diversos seguimentos. O último Censo de 2000 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostrou que embora o Brasil seja reconhecidamente território do catolicismo, houve uma redução na quantidade de pessoas de orientação católica - de 83,8% em 1991 para 73,8% em 2000 - e um crescimento dos evangélicos, de 9% para 15,4%, considerando a mesma base de comparação.

  • • Temos à disposição os meios de comunicação locados ou como patrimônios. Na matéria do jornal Folha de S. Paulo temos a seguinte descrição deste estado de coisas: “Mas é emblemática de um fenômeno dos anos 90: a exploração das emissoras de rádio (AM e FM) e de TV por igrejas evangélicas e pentecostais. Em São Paulo, estimuladas pela crise financeira que atinge o rádio, primeiro as igrejas tomaram as emissoras de AM. Hoje, de 29 emissoras AM em operação na Grande São Paulo, 15 - ou 51,7% do total - têm algum vínculo com o cristianismo. Entre essas 15, 10 são ligadas a evangélicos, das quais 7 têm suas programações totalmente controladas por igrejas evangélicas.”

  • • Estamos ainda presentes nos três poderes de forma visível e possuímos maior visibilidade social, em nossa atuação nos setores de bem-estar social.

Mas será tudo isto o resultado  que se esperava por parte da igreja evangélica nas decisões de Lausanne? Será que estes números respondem por si?

Dentro da perspectiva missionária estas respostas recebem um assustador “Não”.
A razão dessa resposta está nas condições de como estamos crescendo e qual tem sido o impacto desse crescimento dentro e fora da igreja.

Na comissão de Jesus à igreja emergente de Jerusalém expressou-se a necessidade de se anunciar a mensagem do reino de Deus como porta de entrada para o Reino de Deus, onde isso só ocorreria se houvesse um transpassar da consciência morta para uma nova, criada no novo nascimento do indivíduo pelo poder regenerador do Espírito Santo.

Uma vez que esta igreja nos seus primórdios, e em conformidade com o pacto de Lausanne, oferecia a mensagem de Jesus como Salvador e Senhor, as massas convencidas pelo Espírito de Deus, eram inseridas na igreja conscientes de sua decisão radical, que era a de agora “considerarem-se mortos para o pecado e vivos para Deus.”

Em decorrência desta singularidade, ela vivia em estado de graça e poder no dia a dia. Percebia-se com isso sua franca expansão numérica dentro e fora de Jerusalém. Cabe salientar  que, não obstante a sua presença no centro daquela religiosidade judaica, a comunidade cristã tinha a visão de ser ela o agente transformador, sem a necessidade de fraudar a mensagem do evangelho por um pseudoevangelho, nem a de acordar com os poderes locais para facilitar a propagação das coisas do Reino de Deus.

Ela tinha apenas que pregar as boas novas, pois “não podiam deixar de falar das coisas que tinham visto e ouvido” e ainda fazer com que cada cristão ao sair para viver a vida, disperso da comunidade seja por vocação secular ou por perseguição “fosse por toda parte anunciando” a mesma mensagem recebida, que levaria aquela e outras sociedades, como a de “Samaria e até aos confins da terra”.

Eis aqui o grande desafio hoje para a igreja dentro do contexto proposto em Lausane. Este desafio nada tem  a ver com o diabo e seus demônios. Muito menos está relacionado com as circunstâncias políticas que envolvem o mundo muçulmano e um restante comunista. As seduções do capitalismo e do pós-modernismo não são impedimentos em si mesmo. Não. O desafio não é continuar a crescer nas próximas expectativas verificáveis dos próximos recenseamentos, mas sim voltar a crescer dentro da comissão de evangelização bíblica, na qual Cristo é anunciado como o Senhor e Salvador.

Que cresçamos, mas como uma igreja santa, “sem mancha e sem mácula”. Cresçamos por intermédio de uma ação transformadora pelo poder do evangelho de Cristo. Ou será que continuaremos a verificar que crescemos dentro das expectativas da númerolatria de cada segmento, seja pentecostal, neo, histórico, paraeclesiástico etc? Que cresçamos de acordo com o proposto por Cristo à comissão de discipulos lá em Jerusalém.

Crescemos e agora?

Para responder de modo eficaz a essa e outras perguntas, precisamos ver os resultados de como temos influenciado a sociedade brasileira com esse “crescimento”.

Pr. Elias Lopes Fernandes

 

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