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Focos de avivamentos

Quando fazemos uma leitura da história da igreja podemos traçar uma linha de avivamento. Isso é relevante para a igreja atual porque ao olhar para o passado podemos interpretar melhor a própria identidade, firmando-a ao propósito original a partir do próprio criador. Seguem, então, alguns fatos históricos que nos ajudarão em nossa esperança messiânica escatológica. São eles:

- A preservação da identidade cristã dos nossos irmãos, dos três primeiros séculos de nossa era, que, em meio às ameaças dos imperadores, não desistiram da fé, tampouco deixaram de testemunhar com as próprias vidas, no meio das arenas repletas de feras, a salvação no Senhor Jesus. Isso deu espaço a muito preconceito, inclusive pelo fato de eles não se envolverem com a sociedade, renunciando às festas pagãs idolátricas, não participando do alistamento militar e abrindo mão dos prazeres da época como os entretenimentos teatrais, os costumes, as danças e as comidas.

Esse fato os tornava bem estranhos aos olhos da ignorante população, que acreditava que estes praticassem atrocidades nos seus cultos isolados nas catacumbas e florestas. Boatos davam conta de que eles comiam a carne de um “certo menino Jesus” (que nada mais era do que a celebração da ceia do Senhor).

- A integridade da identidade cristã após o evento do Imperador Constantino, com o Edito de Milão em 313 d.C., quando decretou o cristianismo como religião oficial do Estado de Roma em meio ao panteísmo místico em que viviam. O fato desencadeou uma crise sócio-religiosa quando este politiza a igreja do Senhor Jesus Cristo se autodefinindo bispo dos bispos e elegendo, de forma carnal, os líderes que comporiam os cargos nas respectivas igrejas. Esse se constitui como outro ponto de desvio da verdadeira igreja, porque cria a visão de uma igreja-templo e não de uma igreja-corpo.

A integridade se dá, no entanto, pelo fato de esse sistema ser rompido com a criação dos mosteiros construídos nos desertos, cuja finalidade era dar continuidade a legítima igreja de Jesus Cristo.

- A sobrevivência da identidade cristã ante o retraimento do cristianismo com o advento do islamismo em plena idade média. Esse período era tido como a “era das trevas” por causa da apostasia cristã de uma igreja irrelevante e totalmente apática aos propósitos de Deus. Mesmo assim, o “remanescente fiel” se preservou mais uma vez para que o elo histórico e redentor de Deus não naufragasse em meio aos séculos, resultando em meros anônimos da fé e corroborando com um mundo ignorante pelo início das “cruzadas” (reconquista da cidade de Jerusalém tomada pelos mulçumanos), e também, pelo gerenciamento do deus deste século que entorpece a revelação da imagem de Deus que gera salvação em Cristo Jesus.

- O ressurgimento de novas ordens monásticas (dominicanos, franciscanos, agostinianos) em meio à fase do “escolasticismo”, na qual a fé era explicada por meio da visão aristotélica que valorizava a lógica e não a revelação e nem o discernimento da obra de Deus. A essa altura, a tradição da igreja cristã católica apostólica romana já estava acima das Escrituras Sagradas como espiritualidade e base relacional entre o homem e Deus; e se achava imbuída de tal autoridade que se via no direito de autenticar a “inquisição” (repressão a todos os que se opunham ao sistema religioso da época) com suas práticas sacrificiais.

- O sacrifício dos primeiros reformadores (Wicliff, Huss, Savanarola) que interpretaram o desejo dos fiéis da época e arriscaram em confrontar a Babilônia e Grande Prostituta que já adulterava e enganava a fé do povo com suas práticas (indulgências, canonizações, altares, mariolatria etc.). Lutero rompe de vez com o sistema, deflagrando as denominações (luteranismo, presbiterianismo, anglicanismo, batistas), trazendo de volta a palavra de Deus, a responsabilidade individual da salvação e o retorno à graça com justificação pela fé e não por obras.

- O quebrantamento dos avivalistas (Wesley, Withefild, Edwards) que reacenderam a chama do Espírito por se manterem no altar de Deus por intermédio de suas buscas constantes, legando a outros o mesmo fervor incontestável (Moody, Spurgeon) para o cumprimento da missão, visualizando a ressurreição dos dons espirituais pelos irmãos de Azuza (rua nos Estados Unidos em que se deu um reavivamento pentecostal em 1906), que proporcionaram várias outras denominações até os dias de hoje.

Com esse legado, temos a responsabilidade de nos manter vivos para o Evangelho, e Ele vivo dentro de nós. Temos de ser o foco do avivamento. Avivamento é a vida de Deus por intermédio da própria Vida que é Jesus. É incompatível estar em Jesus e não ter vida avivada. Não há razão para a morte, uma vez que Ele nos vivificou nos tirando do império das trevas, da morte espiritual e do resultado da morte eterna (lago de fogo). Avive-se, você é o foco de Deus!

Pr Sérgio Mascarenhas

 

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