STBNETSTBNET

justificação, a doutrina que silencia a culpa

Nossa vida é ferida pelo pecado, sendo que essa maldição é anulada na regeneração (novo nascimento). Porém, quando o homem pratica um pecado, a própria consciência o acusa pulsando em culpa, por não terem se cumprido as expectativas de Deus. Logo, a sensação que se tem é de “réu” diante do justo juiz, Deus (Rm 3.19).

I) A necessidade da justificação: condenação do homem

É primordial que o homem seja justificado (Jó 9.2), em virtude da distância que tem de Deus (Is 59.2) por causa do pecado (Rm 3.23). Se não houver uma justificação, a condenação eterna é iminente (Rm 6.23a).

II) A natureza da justificação: absolvição divina

Justificar é um termo judicial que significa absolver, declarar justo, pronunciar sentença de aceitação (Gl 5.1). É o oposto da condenação, libera o perdão, redime dívidas e cancela o castigo eterno, apesar de não livrar de algumas consequências do pecado (Gl 6.7).

Justificação é o estado permanente da aceitação de Deus (Rm 5.1). Isso inclui tanto o perdão dos pecados (Rm 4.7,8) e remoção da condenação (Rm 8.1) quanto a adição da justiça divina (Rm 5.19)

III) O fundamento da justificação: justiça de Cristo

Deus não está sendo irresponsável absolvendo o pecador sem requerer nada em troca. Na verdade o que Ele requer, Cristo já pagou (I Pd 2.24).

É com base na expiação que somos justificados (Rm 3.9). Deus nos aceita como justos por ter imputado a justiça de Cristo em nós (I Pd 3.18). Imputar é levar a própria conta as consequências dos atos de outro.

IV) A fonte da justificação: graça

Sendo graça, ela nunca incorre em dívida é favor não merecido (Rm 3.24). Graça significa a manifestação do amor incondicional de Deus, o que o leva a amá-lo sem condicioná-lo a interesses pessoais, devido aos riscos que Ele aceita ao continuar acreditando no ser (Jo 1.16). É dom (Ef 2.8) e sendo um presente do Senhor cabe somente recebê-lo (Rm 6.23b).

V) O meio da justificação: fé

A fé é o instrumento que se apropria da justiça de Cristo (Gl 2.16). Ela enxerga a necessidade do homem pela justiça de Deus (Is 64.4); compreende que a essência dessa justificação é divina (Rm 3.22); descansa no seu fundamento (Rm 5.18), e busca na fonte (Ef 1.6,7).

VI) Os efeitos da justificação:

1. Aplicação da justiça:

Devido à morte do velho Adão (natureza) há a ressurreição de um novo ser regenerado (II Co 5.17). O Cristo por nós se torna Cristo em nós (Ef 4.24). E suas características são comunicadas no nosso interior (Mt 5.6).

2. Libertação do legalismo:

O legalista (salvação pela prática da regra) se apóia na autojustificação com base nos próprios feitos (Lc 18.11,12). Isso cria um orgulho religioso que impede de se ver a si mesmo (Lc 18.9).

3. Esperança escatológica:

A justificação te desafia a pensar no amanhã, morte e eternidade sem temê-las (Rm 8.33,35,38,39), porque traz ao presente o veredito do juízo final: absolvido (Mt 25.23).

4. Anulação da culpa:

A justificação tem o poder de calar a consciência latejante em culpa (Hb 9.14), mesmo que haja, no âmbito espiritual dessa mente, a acusação de si mesmo (I Jo 3.20), de Satanás (Ap 12.10) ou de pessoas (Jo 8.10,11).

Discussão:

1. Quando você aplicava a sua justiça (com base nos valores de outrora) as causas eram resolvidas a contento? E hoje, a justiça aplicada (com base nos valores do Reino), há diferença nas resoluções?

2. Você consegue discernir as diferenças de quem se autojustifica (legalista) para quem crê na justificação de Deus (cristão)? Quais são elas?

3. Quais são os seus sentimentos quando o assunto é futuro, morte e eternidade? Ainda há falta de esperança, angústia, nostalgia de alma, dor, falta de sentido na vida?

4. Esta palavra silenciou a culpa (por saber que é de fato de Deus) ou perturbou ainda mais a consciência pecaminosa (por saber que se não se firmar com Deus não será justificado e sim condenado)?

Bibliografia:

  • Pearman, Myer. Conhecendo as doutrinas da bíblia.
  • Erickson, Millard J. Introdução à teologia sistemática.

Pr Sérgio Mascarenhas

 

Voltar »