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a lógica da felicidade à luz da bíblia

Depois de Aristóteles (384-322 a.c) criar a lógica, explicou que a felicidade consiste na atividade da razão por meio das virtudes. Dando um salto na história, vem o racionalismo (Descartes 1596-1650) declarando que a perfeita felicidade é o triunfo da razão sobre os instintos e paixões e a dedicação à contemplação amorosa de Deus. A coisa segue com Voltaire (1694-1778) criando o iluminismo, que fortaleceu a confiança ilimitada na razão, com o objetivo de vivenciar o potencial humano, visando à felicidade perfeita com a anulação da fé, tradição e desesperança. Como se não bastasse, o idealismo com Emmanuel Kant (1724-1804) resume a existência dizendo que tudo concentra-se no pensamento que se torna absoluto pela autoconsciência. Ainda temos o voluntarismo (Arthur Schopenhauer 1788-1860) que pregou o otimismo para a superação da condição humana na construção de um super-homem. O positivismo (Augusto Comte 1798-1857) aparece falando que a matéria é o princípio supremo. E como a “cereja do bolo”, chega o existencialismo (Martin Heidegger 1889-1976) ressaltando que na busca pela identidade, se deve autenticar a existência a qualquer custo (liberdade) pelas experiências cotidianas desconectando-se de Deus. O que culminou no hedonismo: o prazer desenfreado e a busca incessante do mesmo; o niilismo: vácuo existencial provocado principalmente pela ausência do criador; o pluralismo: não há absolutos, ou seja, a verdade maior fica relativizada; e por fim o pós-modernismo que vivemos hoje e que influencia a igreja da seguinte forma: consumismo, a valorização do ser pelo ter; pragmatismo: sacrifício ao futuro em prol de um imediatismo total e escravizador a resultados; individualismo: o homem passa a ser a medida de si mesmo anulando tudo e todos ao seu redor; utilitarismo: o foco são as vantagens do ser, somado ao conceito do descartável.


A realidade dessa comunidade fica sujeita a famosa teologia da prosperidade: a possibilidade de uma vida saudável e de plena realização; triunfalismo cristão: obtenção de êxito em todas as esferas da existência humana; religiosidade capitalista: busca a Deus focando somente benefícios materiais; mercantilismo evangélico: sociedade dominada pelo mercado, que se constitui como divino a fim de suprir as necessidades não preenchidas em Deus; secularismo cristão: a diferenciação e vivência do privado com o público no que tange à vida cristã; espiritualidade descompromissada: substituição do caráter cristão por ritualismo e cerimoniais sem o senhorio de Cristo; comunidade egocêntrica: com a perda da visão da causa principal devido ao divórcio da missão diaconal e evangelística; rebanho virtual: com um grupo institucional sem vínculos efetivos (espiritual) e afetivos (relacional).

Contra tudo, isso vem a palavra de Deus falando não na ideia em si, mas no processo em como viver a utopia de se ser feliz. E a proposta está no Salmo 1:

v 1. Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores; 2. antes tem seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e noite.

Todo aquele que busca a felicidade em primeiro lugar se torna escravo desse propósito inatingível. O segredo, então, é buscar a Deus em primeiro lugar e consequentemente traçará um destino regrado com a presença do Senhor, pelo zelo de querer agradá-lo, o que liberará um gozo tanto pelos desvios mundanos, quanto por sua presença acalentadora e abastecedora.

Outra proposição é o Salmo 128:

v 1. Bem-aventurado todo aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos.

O temor ao Senhor garantirá a perseverança num caminho altaneiro e qualificativo. Não há como negar que a transcendência a Deus é que significa o interior inconstante, volúvel, desestabilizado, ambivalente por causa do pecado. Quando há essa busca ao criador, o caos intrínseco e adjacente passa a se organizar pelo poder apaziguador d’Aquele que reorganiza tanto o homem quanto o cosmos.


E, por fim, as palavras de Jesus sobre felicidade no sermão do monte, em Mateus capítulo 5:

v 1. Vendo as multidões, subiu ao monte, e, como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos; 2. e ele passou a ensiná-los, dizendo: 3. Bem aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. 4. Bem aventurados os que choram, porque eles serão consolados. 5. Bem aventurados os mansos, porque herdarão a terra. 6. Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos; 7. Bem aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8. Bem aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus. 9. Bem aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. 10. Bem aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. 11. Bem aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós, por minha causa. 12. Exultai e alegrai-vos, porque grande é o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.

Com essa palavra, Jesus derruba a lógica por estabelecer a fé. Ressalta o caráter por meio da conexão com um Deus Santo. Desfoca o homem de si mesmo e o faz enxergar para além de si tornando-o humilde e dependente. Desnivela o ter, o saber, o poder, colocando-os abaixo do ser. Firma a identidade de todos os que se aproximam carentes de paternidade. Cura as feridas dos desesperançados ideológicos que se apoiaram na filosofia para obterem as respostas do coração. Hierarquiza o prazer, a matéria, a tradição, a religião, o mercado, o dinheiro, colocando-os abaixo de sua pessoa. Responsabiliza cada um pelas suas decisões. Exige uma transformação de todo coração obstinado. Propõe preenchimento de todo vácuo no âmago. Não anula a realidade que é sofredora em determinados momentos. Ensina os verdadeiros valores para a vida tanto numa postura diante dos homens quanto diante de Deus. Pontua para além dessa vida o significado maior da existência E por fim galardoa a todos os que se predispõem a obedecê-lo, mediante sua palavra, e a andar como Ele andou.

Por essas verdades é que a filosofia, ideologia e toda ciência se coloca abaixo da teologia, que tanto explica como ser feliz quanto exemplifica na pessoa de Jesus tal realidade. Seja feliz.

Pr. Sérgio Mascarenhas

 

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