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perseguidos de jerusalém até os confins da terra

(...) E fez-se , naquele dia, uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém (...) Atos 8:1

A ética de Jesus é altíssima, pois ela requer uma justiça mais alta do que a dos escribas e fariseus (Mt 5:20). Seu chamado inclui a renúncia do próprio indivíduo (mt 5:30), numa convocação para voltar às costas para as relações antigas e projetos pessoais (Mt 6:19-24) e acrescenta que este modo de viver, exclusivo para o Reino de Deus, resultaria na oposição cerrada do sistema secularizado e dominado pelo príncipe deste mundo, a saber, Satanás (Mt 5:12-19).

Sendo assim, o próprio testemunho de todo aquele que estaria comprometido com o reino de Deus em certo momento teria que ter um confronto inevitável com as outras esferas de poderes antagônicos ao reino de Deus na missão da Igreja. A igreja apostólica tinha esta visão, pois sabia que como embaixadora do Reino de Deus, da mesma forma que o Messias fora perseguido, preso e morto, ela também teria a mesma sorte. (I Pd 4:12 - 13). Sabia que por muitas tribulações importava entrar no Reino de Deus (At 14:22) e que isso se constituia em motivo de louvor a Deus (At 5:41), mas que era preciso ficar firme, apesar de toda a oposição, necessitando, para isso, de autoridade espiritual (At 6:29) para continuar pregando o evangelho da graça de Deus.

A igreja primitiva, que fora fundada sob a pedra de esquina, Cristo, e alicerçada nas colunas apostólicas como Pedro, Tiago e João e demais apóstolos do Senhor, estava cônscia de que sua história no evento da salvação e como testemunha de Jesus não seria diferente. Eles estavam sendo enviados em uma missão perigosa e de riscos para sua própria integridade física e emocional. Seriam como ovelhas em meio aos lobos devoradores (Mt 10:16-23) e como perseguiram ao seu Senhor, perseguiriam a ela também (Mt 10:24-25).

Ainda hoje a comunidade dos santos em Cristo em todo o mundo continua vivendo essa tensão entre o céu e a terra; entre o gozo da bem-aventurança e a perseguição como comunidade de peregrinos e forasteiros no mundo; como embaixadores de Deus e como maltrapilhos para o mundo.

A igreja, apesar de toda a oposição enfrentada pelo judaísmo, pelo império romano, pelo paganismo católico, pelo comunismo materialista, pelo nazismo alemão, pelo capitalismo mamonista, pelo liberalismo dos custumes, pela mornidão interna, pelos mais vis ataques do diabo ou de qualquer outra oposição não nomeada aqui, está debaixo da promessa de que "as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt 16:18). Exemplo disso vivi quando estive na Rússia, onde conheci um ancião da igreja que durante muitos anos ficou preso nos Gulags, campo de prisioneiros políticos ou inimigos do Estado.

O comovente testemunho daquele preso por Cristo dizia que uma vez na prisão gelada da Sibéria, Deus havia dito a ele que ainda vivo veria a libertação da ex-União Soviética do julgo do comunismo, o que de fato aconteceu em 1989 cumprindo assim a Palavra de Deus. A Palavra de Deus não está presa por nenhum sistema, por nenhum poder ou força que se nomeie aqui ou nas trevas de Satanás.

A ação missionária da igreja no mundo opositor sempre foi marcada por essa distinta perseguição seguida de prisão e morte das testemunha do evangelho. Foi assim desde Jesus até aos irmãos em Cristo em nosso século XXI, presos atualmente no Afeganistão, China, Arábia Saudita ou Cuba, expulsos de Israel ou da Indonésia, mortos na Somália ou na Nigéria, todos eles oprimidos por todo o mundo conspirador. Esses presos em Cristo, embaixadores em cadeias, precisam de nossa oração intercessória para que possam testemunhar como convém e não se envergonhar do testemunho de nosso Senhor Jesus, preso juntamente com Eles.

No último período da história registrado nas Escrituras, o livro de Apocalipse descreve justamente o embate entre os sistemas mundanos e Satanás, que juntos se opõem à Igreja de Deus e ao seu Cristo, demonstrando em suas páginas finalmente a derrocada de toda a forma de oposição ao plano eterno de salvação (ap 21:6). É a consumação da vitória de Deus e de seu Cristo. Do Cordeiro e da igreja, sua esposa. É a vitória do sangue dos mártires por causa da Palavra. Então viverá um novo dia para a história da igreja que tem sido perseguida desde Jerusalém até aos confins da terra por causa do testemunho que deram. Haverá um momento de cantarmos:

"Vou rumo ao meu lar, meu lar celestial;
Vou rumo ao meu lar e a Cristo;
Lá não mais pesar, tristezas ou dor;
Vou rumo ao meu lar e a Cristo."
(Hc 615).


Essa é a nossa primeira e derradeira esparança enquanto testemunhamos da graça salvadora, apesar de toda opressão que se faz debaixo do sol.

Pr. Elias Lopes Fernandes

 

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